O Cingeleiro Riachense

Os cingeleiros eram os agricultores de Riachos que, com a ajuda dos seus bois de trabalho, amanhavam as terras. Tinham características muito próprias que se foram consolidando ao longo de décadas por tal forma que bem podemos dizer se tornaram uma imagem bem específica que caracteriza o homem riachense de hoje.

No nosso entender para que se possa bem compreender este fenónemo há que levar em consideração alguns aspectos particulares de que ressaltam:

A estrutura fundiária da propriedade – o agricultor riachense propriamente dito era, normalmente, proprietário de algumas geiras de terra, que lhe permitiam desenvolver a sua economia pessoal não só como proprietário, mas também alugando a sua força de trabalho (a sua própria, dos seus bois e das suas alfaias*1) aos donos das grandes quintas que circundavam Riachos ou que detinham hastins*2 nos Campos da Golegã. O cingeleiro riachense era assim um factor imprescindível na economia agrícola da região o que, acrescido do especial rigor que punha no seu trabalho, o transformava num trabalhador respeitado e mais considerado que os seus companheiros de localidades vizinhas.

Depois, por que o cingeleiro, como acima já referimos, constituía como que uma unidade incindível com a sua junta de bois e com as suas alfaias. Aos primeiros tratava-os como se fizessem parte da sua própria pessoa – dava-lhes um nome, ageitava-os a seu modo, cuidava-lhes da higiene e da saúde como se de um verdadeiro tesouro se tratasse. As alfaias essas eram também preparadas a rigor não só para os trabalhos do campo como até para o próprio carrego nos carros em que uma falha ou um descuido eram motivo de vergonha e desconsideração perante os outros colegas de trabalho.

 

*1 alfaia: utensílio adequado a uma arte ou ofício          *2 hastim: antiga medida agrária

Lenda do Senhor Jesus dos Lavradores

Esta lenda da nos a origem da Festa da Benção do Gado

                               Origem da festa da Benção do Gado 

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